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Bloqueio de Bitcoin no Brasil é ‘boato’, mas dados do Reino Unido mostram 40% de restrições

O Boatos.org, um portal de verificação de informações, lançou uma análise interessante na última sexta-feira (30). Ela afirma que não é verdade que bancos estão bloqueando as contas de clientes que compram criptomoedas. Segundo a publicação, os relatos de congelamento de saldos e fechamento de contas se devem a medidas de segurança ou à falta de conhecimento dos usuários sobre as normas bancárias.

De acordo com o texto, a ideia de um “bloqueio bancário” virou assunto de teorias da conspiração em redes sociais como Telegram e TikTok. O portal defende que a situação envolve uma desconexão entre a rapidez das transações com ativos digitais e os sistemas de segurança mais tradicionais.

Os bancos, conforme a análise, têm a obrigação legal de monitorar atividades suspeitas para prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. Sendo assim, transferências para exchanges de bitcoin acionam alertas automáticos do mesmo modo que transferências para sites de apostas ou remessas internacionais inesperadas.

Dados internacionais mostram hostilidade bancária no Reino Unido: “40% das transações para corretoras de criptomoedas barradas ou atrasadas”

Entretanto, essa visão de que os bloqueios são apenas procedimentos normais se choca com dados recentes do setor. O Conselho de Negócios de Criptoativos do Reino Unido (UKCBC) divulgou um relatório em janeiro de 2023, que revela que grandes bancos britânicos barram cerca de 40% das transações destinadas a corretoras de criptomoedas.

O estudo ouviu dez das maiores exchanges, como Coinbase e Kraken, e constatou que uma única plataforma teve quase £ 1 bilhão (aproximadamente R$ 7 bilhões) em depósitos recusados pelos bancos em apenas um ano. Além disso, instituições como Virgin Money, Metro Bank e Starling Bank impõem bloqueios totais contra transferências para o setor, reforçando que essas restrições são sistemáticas, não apenas pontuais.

O relatório ainda aponta que 70% das empresas do setor veem o ambiente bancário como “mais hostil” do que era antes. Portanto, enquanto o Boatos.org afirma que o objetivo dos bancos é “proteger o cliente e não puni-lo”, a realidade observada em grandes centros financeiros, incluindo o Brasil, sugere uma barreira institucional significativa à adoção das criptomoedas.

Orientação ao consumidor e cenário regulatório

Segundo o texto do Boatos.org, os usuários que enfrentam esses bloqueios devem entrar em contato com seus gerentes e apresentar a documentação necessária para desbloquear os recursos. Contudo, o site comete um erro ao afirmar que o Brasil avançou muito na regulamentação, com a lei aprovada em 2022 reconhecendo o Bitcoin e outros ativos como meios de pagamento legais sob a supervisão do Banco Central do Brasil (BCB). O Banco Central, na verdade, não reconhece o bitcoin como meio de pagamento, mas sim regula as corretoras de maneira semelhante aos bancos.

Além disso, a pesquisa do UKCBC revela que todas as empresas entrevistadas afirmaram que os bancos não oferecem explicações claras para os bloqueios de pagamento. Isso cria um cenário perplexo, onde muitos investidores ficam sem respostas sobre por que seu dinheiro não pôde ser liberado.

Essa discussão coloca em evidência a tensão que persiste entre o sistema financeiro convencional e o crescente universo das economias digitais. Enquanto os verificadores de fatos tratam o assunto como alarmes falsos derivados de práticas de rotina, associações comerciais trazem números que sugerem barreiras institucionais deliberadas contra a popularização das criptomoedas.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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